Me formei! E agora? (parte 1)

02maio10

Dedico este artigo aos meus ex-alunos do curso superior de Desenvolvimento de Software, que estão prestes a se formar. O que deve estar passando na cabeça deles neste momento? Não é difícil de imaginar, quem já se formou sabe! Além do mais, o nosso ofício é alicerçado na coletividade e no trabalho em equipe, o que nos dá muito mais respaldo para entender o comportamento e anseios de cada um de nossos colegas. Sim, colegas!

Não tenho a pretensão de responder a todas as perguntas, claro que não. O objetivo deste meu texto é apresentar as macro-possibilidades da carreira, buscando antecipar fatos e alinhar as expectativas. Vou focar este bate-papo sob 3 perspectivas, apresentado os pontos positivos e negativos de cada um deles: 1) iniciativa privada; 2) área acadêmica e; 3) setor público.

A Iniciativa Privada

Vou começar pela iniciativa privada, pois é por ela que a maioria dos estudantes da nossa área iniciam sua carreira. Se tem uma coisa que não podemos nos queixar é a oportunidade para os iniciantes. Boa ou má, a oportunidade existe! Cabe à cada um avaliar o rumo que deseja dar a sua carreia. A iniciativa privada nos oferece um leque cheio de possibilidades. Não vou detalhar os papéis que um profissional da área pode exercer, mas é muito importante que, nesta altura do campeonato, você já tenha se identificado com (pelo menos) um deles.

Muita gente começa a trabalhar cedo, ainda cursando a faculdade. Eu acredito que esta oportunidade não deva ser desperdiçada, pois se formar sem alguma experiência pode trazer muita dor de cabeça para conseguir o primeiro emprego. Quando, em um processo seletivo, a empresa dispõe de vagas para profissionais formados, ela oferece salários diferenciados e espera que o cadidato esteja preparado para assumir as responsabilidades. Como apostar em um candidato que não possui experiência profissional? Provavelmente a empresa oferecerá uma vaga menos crítica com um salário menor, e o candidato não aceitará. Daí começa a velha estória do cachorro correndo atrás do próprio rabo. Não desanime, existem diversas maneiras de resolver este problema, certamente você as encontrará!

Uma grande vantagem da nossa área é a dinamicidade, inerente às tecnologias. Tudo muda muito rápido. Se num dia você não sabe nada sobre um determinado assunto, no outro você poderá ser a referência na sua equipe (ou até mesmo na empresa). Mantenha-se atualizado e não perca o bonde. Se você não consegue enxergar isso como uma vantagem, e sim como uma desvantagem, cuidado! Você poderá ser o próximo profissional acomodado e resistente às inevitáveis mudanças. Não adianta dizer que vai ser gerente e que não precisa conhecer essas “coisas”. Os melhores gerentes que convivi sabem o que estão gerenciando. E os piores… arghh! Esses não quero nem comentar.

Vai aqui uma receita de bolo para você se destacar no mercado privado: esteja bem apresentável (o que não significa necessariamente se vestir formalmente); seja dedicado e comprometido com seu trabalho; saiba trabalhar em equipe; não deixe que sua cabeça se torne um ferro-velho; saiba o que a empresa espera de você (só assim você poderá dar resultado); dê resultado; seja auto-gerenciável (ou seja, não necessite de babás, mas não seja insubordinável); não faça questão de agradar a todos.

Com relação aos itens que descrevi anteriormente, faço questão de destacar um deles pela sua essência polêmica: “não faça questão de agradar a todos”. Na iniciativa privada também existe politicagem, mas uma coisa é fato: empresário não quer perder dinheiro por conta de caprichos de uns e outros. Mas, se a empresa ouve quem não deveria, e você não pode fazer nada para mudar (ainda), esteja certo: você está nadando contra a corrente. Para um crescimento profissional saudável é preciso estar em um ambiente onde a cultura esteja mais ou menos casada com os seus princípios. Não basta a empresa te escolher, você também precisa escolher a empresa certa. Você nunca encontrará o lugar perfeito, se encontrasse também não se sentiria desafiado.

Uma das dificuldades que a iniciativa privada enfrenta é achar profissionais auto-gerenciáveis e líderes. Essas coisas não se ensinam em faculdade, muito menos em cursos técnicos como o nosso. Isso vem de berço, mas pode ser estimulado a partir de agora, basta você perceber e querer resolver. Muitos profissionais medíocres (gerentes de coisa alguma) ainda têm seu lugar ao Sol, servindo de babás para profissionais sem foco. Será que você tem uma babá hoje? Será que você precisa realmente dela? Não queira ser esses profissionais (babá ou bebê), principalmente na iniciativa privada.

O mercado privado paga bem? Essa é uma questão difícil de responder. A resposta é: sim e não. Especificamente aqui em Salvador/Bahia geralmente não paga bem. Mas é claro que existem excessões, mas, sem dúvida, não é um caminho fácil. Os mercados de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro costumam a valorizar melhor os profissionais de uma maneira geral. Muita gente, após muita labuta, acaba se mudando de mala e cuia para estas cidades. Alguns voltam outros ficam por lá mesmo, mas é possível ser feliz e ganhar bem aqui também!

Vale a pena pular de galho-em-galho? A seguinte frase ajuda a responder esta pergunta: “damos valor quando perdemos”. Essa frase serve tanto como um sim e como um não, tanto para o empregado quanto para o empregador. O profissional muitas vezes muda de emprego e descobre o quanto era bom o anterior. A empresa muitas vezes perde um bom profissional por economia de palito, valoriza exacerbadamente um outro do mercado, e se arrepende. Isso de certa forma é bom, pois oxigena as relações e as experiências. Como vou saber se Coca-cola é melhor que Pepsi se eu só bebo Coca-cola? Nem sempre é preciso experimentar para saber, mas infelizmente esta não é a regra sempre válida. Porém, chega um momento que a estabilização (não a acomodação) pode trazer benefícios.

A iniciativa privada é muito isso: dinamicidade. Se você é movido a desafios, sem dúvida, você os encontrará. Se você é bom no que faz, aqui certamente você será mais facilmente reconhecido profissionalmente. Financeiramente nem sempre.

Nos próximos capítulos, trato sobre a área acadêmica e o setor público. Confira!

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6 Responses to “Me formei! E agora? (parte 1)”

  1. 1 Leo

    Awesome

  2. 2 Abramao

    Muito bom velho! Falou tudo!

  3. 3 Jáder

    Valeu Cleverson, a maioria de nós que estamos nos formando realmente precisa desse bate-papo e dessa orientação. Como eu já havia falado para o coordenador do nosso curso quando você propôs o assunto, você é um profissional que tem embasamento para falar a respeito, afinal já passou pela área privada, por diversos cargos, inclusive o de gerência, e pelo setor público. Ninguém melhor para tentar nos dar um atalho nesse caminho longo do desenvolvimento profissional.

  4. 4 Azenval

    Grande capacidade! “Falou tudo”!

  5. 5 Fábio

    Um dos fatores chave para qualquer profissional é o planejamento da carreira. Bom, estou falando por mim mas acredito que sirva para todos. Mesmo trabalhando num ambiente amigável, ganhando razoavelmente bem, sem ter horas e mais horas extras para fazer, é importante verificar se a empresa oferece o ambiente adequado para alcançar seu objetivo de médio/longo prazo. Alguém que quer ser arquiteto de software, por exemplo, não pode se contentar com vagas de programador ou “programalista”. É preciso exercer o papel de arquiteto efetivamente, mesmo correndo mais riscos pela inexperiência. Claro, isso exige uma certa dose de coragem e dedicação, mas é um mal necessário. Façam esse exercício: pensem com o que gostariam de trabalhar daqui a 5, 10 anos e busquem a qualificação necessária.


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