Me formei! E agora? (parte 2)

18jul10

Dedico este artigo aos meus ex-alunos do curso superior de Desenvolvimento de Software, que estão recém-formados. No post anterior comentei sobre a iniciativa privada. Neste post tratarei sobre a carreira acadêmica. Para ser bem cartesiano, descreverei as oportunidades acadêmicas em dois grupos: 1) como aluno e; 2) como docente. Não me restringirei em tratar apenas a academia, e sim as mais variadas maneiras de se manter atualizado ou de ensinar.

Já começo este texto com a seguinte frase: nunca pare de estudar. Se formou? Procure uma especialização, um MBA, um mestrado, um doutorado, um curso de inglês, um treinamento em alguma coisa, uma certificação, um concurso… só não pare de estudar, pois o mundo não para! Parar de buscar novos conhecimentos é o primeiro passo para a estagnação como profissional e como pessoa. Forte isto, não é? Pois então reflita à respeito e depois diga se é ou não é uma verdade.

Faz alguns anos, ter um diploma de curso superior era o suficiente para garantir um bom emprego, o reconhecimento da sociedade e, o melhor, uma boa satisfação pessoal. Hoje estar formado não passa de sua obrigação. Existem milhões e milhões de instituições de ensino despejando trilhões e trilhões de “profissionais” no mercado. Daí eu pergunto à você: qual o seu diferencial? Trilhar estratégias que desenvolvam o seu conhecimento é uma das soluções.

Muita gente me pergunta se vale à pena fazer tal curso ou estudar tal coisa. Lembre que o conhecimento é uma das poucas coisas que ninguém pode tirar de você, e portanto é acumulativo: quanto mais você aprende, mais capacidade você adquire para assimilar mais conhecimento. Então pense, você quer mesmo dar um tempo nos estudos?

Na área acadêmica há uma gama de possibilidades. Você pode exatamente agora começar uma especialização, um MBA, um mestrado ou um doutorado. Há esta confusão natural: eu posso fazer mestrado ou um doutorado sem ter especialização? Teoricamente pode! O mestrado e o dourado, assim como a especialização e o MBA, estão na categoria das pós-graduações. Existem as pós stricto sensu (mestrado e doutorado) e as lato sensu (especialização e MBA).

No popular, e bem objetivamente falando, geralmente as pós lato sensu cobram menos do aluno do que as stricto sensu. Contudo, é um ambiente ótimo para troca de experiências e para fazer networking. O público alvo das pós lato sensu são os profissionais de mercado, que priorizam o seu trabalho e que querem ver novidades na sala de aula. Os cursos lato são focados em temas específicos da área, e as aulas são estilo show bizz (pelo menos é o que o grande público espera). É isso mesmo, o lato é tratado pelas instituições de forma bem mais comercial que o stricto.

No stricto sensu é mais comum encontrar alunos recém formados, e que não pretendem se lançar ainda no mercado de trabalho. O clima é muito mais parecido com o modelo SBA (senta a bunda e aprende) do que o lato. Por ser mais exigente e mais raro, o diploma stricto é mais valorizado. Quantas pessoas você conhece que tem um diploma lato? E stricto? Isso torna um melhor que o outro? Claro que não. Tudo vai depender muito do seu objetivo, então SBP (senta a bunda e pensa).

Isso é indiscutível, um mercado que ficou muito mais acessível com a proliferação de faculdades foi a docência. E ficou muito promíscuo também! Gato e cachorro hoje, além de animais de estimação, são também professores. A grande demanda das faculdades favorece este cenário. Mas, como tudo na vida, tem um lado bom. Você, que não tem um QI (quem indica) forte neste ramo, pode aproveitar esta oportunidade e se descobrir um ótimo professor. A motivação financeira não deve ser a prioritária para ensinar. É preciso muita responsabilidade para formar pessoas, os futuros profissionais da sua área.

Ensinar em cursos de graduação não é sinônimo de um bom salário, mas é muito gratificante contribuir para a formação de futuros grandes profissionais. Já os cursos lato oferecem melhores remunerações, porém não emprega gato e cachorro, só os profissionais diferenciados. E é preciso também de um bom QI. Ensinar em cursos stricto é preciso muita dedicação (como aluno) ao stricto. Se este é o seu caso, intitule-se pelo menos como mestre para ensinar aspirantes de mestrado.

A grande vantagem da docência é que você pode ser professor e dedicar-se ao mercado de trabalho simultaneamente. Existem também os casos de dedicação exclusiva à docência, que são mais rentáveis financeiramente falando. Se você quer mesmo compartilhar o seu conhecimento ensinando, não precisa ser necessariamente dando aula em universidades. Ministre treinamentos e palestras, é também um trabalho muito gratificante. Para quem gosta, obvio!

Na terceira e última parte desta trilogia, trato sobre concurso público. Confira!

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8 Responses to “Me formei! E agora? (parte 2)”

  1. 1 Leo

    Tá aí… muita coisa disso eu não sabia.
    Eu não sabia nem o que era colação de grau até o dia que vi que dependia disso pra me “livrar” da Unijorge.

    Valeu Cleverson.

  2. 2 Fábio

    Acho que o correto seria “Passei no vestibular, e agora?”

    • Explica melhor seu raciocínio.

      • 4 Fábio

        É que o post cai como uma luva para quem criou as oportunidades durante a faculdade. Para o aluno que se formou “verde”, sem se preparar em estágios, projetos de pesquisa, monitoria, sem dedicação as matérias, etc, fica muito difícil se estabelecer no mercado. E para alguém desempregado fica difícil fazer um curso de inglês, pós ou MBA. Pior ainda o mestrado, que normalmente cobra um desempenho acadêmico acima da média.
        O post está bom, só quis levantar a questão da preparação antes de se formar.

  3. Se formou? Então não pare de estudar. Reforço o que o Cleverson escreveu. Ele está completo de razão. Cleverson, se me permite, ressalto a importância de planejar o futuro. O que eu sou e onde estou hoje? O que eu quero ser e onde quero estar daqui a 05 anos? O que preciso fazer para chegar lá? Quais são os meus projetos e sonhos?

    Grande abraço Cleverson.

  4. Muito pertinentes os comentários de Fábio e Robériton!!!

  5. 7 Luciana

    Parabéns pela iniciativa de socializar experiências e fornecer dicas importantes para a carreira. O que faz de você um cara especial é isso: ser solidário e humilde!

  6. Muito interessante, Cleverson!
    Obrigada por compartilhar essas experiências conosco.
    Estou aguardando ansiosa pela Parte 3. 🙂


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