Me formei! E agora? (parte 3)

03out10

Dedico este artigo aos meus ex-alunos do curso superior de Desenvolvimento de Software, que estão recém-formados. Finalmente chegou a terceira e última parte da trilogia “Me formei! E agora?”. Na primeira parte falei sobre a iniciativa privada, na segunda sobre a carreira acadêmica. Agora falarei sobre concurso público. Muita gente busca a tão sonhada estabilidade que o cargo público pode proporcionar, mas será que é só maravilha? Quais os benefícios e quais os pontos negativos? Leia este post e confira!

Pois é! Tem muita gente que mergulha de cabeça no estudo para concurso público e faz disso uma profissão. Conheço pessoas que abandonaram seus empregos na iniciativa privada para isso. Conheço também pessoas que concluíram a faculdade e mergulharam de cabeça na onda do concurso público. Porém, há quem diga que servidor público é preguiçoso e que não gosta de trabalhar. Este é o velho legado maldito, mas será que as coisas continuam assim?

Apóio plenamente quem pretende ingressar numa carreira pública com o intuito de servir ao governo. Repugno qualquer pessoa que ingresse no concurso público para ficar “coçando saco”, e existe muita gente assim. Não entendo como um pessoa que se empenha nos estudos e que passa em um concurso tem uma mentalidade dessas. Quem almeja uma vaga só para mamar na teta do governo, só desejo uma coisa: tomara que nunca passe! Contudo, felizmente, é perceptível que a mentalidade dos novos concursados está mudando. As pessoas querem fazer a diferença, querem dar resultado, querem mudar as coisas que estão erradas.

Para a nossa área, existem diversas opções de concurso em órgãos públicos, empresas públicas, fundações públicas e empresas de economia mista. O regime de contratação varia bastante, desde o Estatuto do Servidor Público até a contratação via CLT. Mas é possível que concurso público contrate via CLT? É sim, mas não vou entrar neste nível de detalhe. Dentre as opções onde a tecnologia é área fim estão os órgãos municipais, estatuais e federais de processamento de dados. Existem vagas também onde nossa área é meio, tal como: Polícia Federal, Banco Central, Senado, Tribunais, Ministérios, etc. Existem vagas para a Bahia? Sim, mas não se engane, existem muito mais vagas para o Distrito Federal.

O salário é o um dos atrativos. Nos concursos mais “básicos” o salário é compatível ou maior que os praticados na iniciativa privada. Nos concurso mais “avançados” o salário é bem atraente, contudo é preciso conhecimento de outras áreas. Uma disciplina muito cobrada é Direito. Existem diversos cursinhos preparatórios com aulas presenciais ou remotas. Existem também sites especializados que disponibilizam materiais e vídeos mediante pagamento de assinatura. Opção é o que não falta!

Mas esta estória também tem um lado ruim. Existem profissionais que não se adaptam ao ritmo do governo, que realmente não é acelerado como a iniciativa privada. O meio de conseguir fazer as coisas funcionarem é moroso, mas é possível sim fazer a diferença. Existem também profissionais que pretendem ser empresários. Para estes, investir tempo em concurso público talvez seja um desperdício.

Para os profissionais experientes, o primeiro impacto é o seguinte: quando você é contratado por uma empresa privada, você é desejado porque você é “o cara” certo para a vaga; no concurso público não, você foi contratado porque você foi aprovado e pronto! Muitas vezes você precisa abdicar de toda a sua bagagem, acumulada durante séculos, e começar tudo quase da estaca zero. Existem casos e casos, mas é possível que isto aconteça um dia com você. Avalie, pois como tudo na vida, existe o lado bom e o lado ruim.

Conclusão

Para quem achou que lendo esta trilogia, iria achar aqui uma receita de bolo, se enganou! Cada uma das três opções (iniciativa privada, academia e concurso) possui pontos positivos e negativos, você precisa escolher a que mais se enquadra com o seu plano atual de vida. E saiba também que, a escolha que você fizer, seja ela qual for, não é um caminho sem volta. A qualquer momento você poderá mudar a direção do seu barco, basta você querer.

Avaliem os seus desejos, seus valores, suas crenças, suas ideologias, a qualidade de vida e os seus anseios pessoais; ponderem tudo e considerem a variante “tempo”. Com um pouco de exercício de planejamento de vida vocês saberão o que é melhor para vocês. Desejo todo o sucesso do mundo e, quando ficarem famosos, mandem uma lembrança para mim no programa da TV. Sucesso! 😉

Anúncios


3 Responses to “Me formei! E agora? (parte 3)”

  1. 1 Leo

    That’s great Cleverson.

    Infelizmente a grande maioria quer entrar no Estado é pra coçar o saco mesmo.
    Trabalhei por 5 anos na máquina e saí de lá enojado.
    As pessoas simplesmente se recusam a trabalhar com a desculpa de que o salário tá sem reajuste a anos. Daí sobra pra o “contratado” fazer todo o serviço.

    Acho que tem um ponto importante que essa galera que quer a mamata e vai atrás de concurso público não está conseguindo enxergar. O salário realmente pode ser um atrativo “agora”, mas daqui a uns 5 ou 10 anos esse salário não vai passar de uma mera migalha.

    Fato… na década de 80 e 90 muitos entraram no Estado por causa dos grandes salários, hoje, o mesmo salário não passa de 2 salários mínimos, daí eles recebem uns bonus por fora pra conseguir sobreviver. E o pior, vai se aposentar ganhando uma merreca. Hoje estão revoltados e infelizes porque fazem o que não gostam, porém antes compensava por conta do dinheiro. Não estudaram, ficaram pra trás. E o pior disso tudo é que descontam essa frustração nas pessoas que dependem do serviço público que é uma lástima no Brasil.

    Pra mim esse modelo de vida não me enche os olhos.
    Agora claro que, quem for esperto, passa num desses concursos, aplica a grana que tá sobrando agora e continua os estudos ou desenvolve outra atividade por fora, tira uma dessas licenças premium (1 ano sem trabalhar) da vida e vai conhecer o exterior ou coisa do tipo, porque sinceramente, depois dessa re-eleição do PT… nada de bom pode se esperar do Brasil daqui pra frente, aliás, seja lá quem ganhasse as perspectivas não seriam boas, em Salvador por exemplo tá morrendo 20 por semana.

    Ainda bem que estou longe… bem longe.

    Abraço and good luck Cleverson.


  1. 1 Me formei! E agora? (parte 1) « Cleverson Sacramento
  2. 2 Me formei! E agora? (parte 2) « Cleverson Sacramento

E aí, o que você achou? Comenta aí...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s