Meu relato sobre a CBSoft 2010

13out10

fonte da imagem: http://book-hotels.com

Ocorreu em Salvador  na semana de 27/09 à 01/10 a CBSoft 2010 (Brazilian Conference on Software: Theory and Practice), integrando 3 simpósios no Bahia Othon Palace Hotel com uma linda vista para o mar da Ondina. Os simpósios foram os seguintes:  Brazilian Symposium on Software Engineering (SBES); Brazilian Symposium on Programming Languages (SBLP) e Brazilian Symposium on Components; Software Architecture and Software Reuse (SBCARS). Não é sempre que a Bahia hospeda um evento deste porte, que foi muito bem organizado pela equipe do prof. Manoel Mendonça da UFBA. Neste post, pretendo compartilhar as experiências que adquiri nos simpósios que participei: o SBES e o SBCARS.

Apesar da linda vista para o mar, do Sol forte e do clima praieiro, a CBSoft 2010 contou com uma agenda repleta de palestras, apresentações de trabalhos e mini-cursos. Não houve tempo para uma escapada para a praia! Confira no site do evento a programação para cada um dos dias em cada um dos simpósios: http://wiki.dcc.ufba.br/CBSOFT/TheProgramPt. A impressão inicial que tive no credenciamento é que tudo parecia muito bem planejado, e realmente estava. Os horários estavam sendo cumpridos à risca e muitas apresentações deixaram um gostinho de “quero mais”. Com relação à organização do evento, sem sombra de dúvidas, dou nota 10!

A qualidade dos trabalhos apresentados no SBES e SBCARS foi muito boa, entretanto a apresentação deixou muito a desejar: o conteúdo era bom, mas os palestrantes tornavam o assunto desinteressante. Isso ocorreu durante a apresentação dos artigos selecionados. De forma geral, continuei com a impressão de que a academia ainda peca muito na apresentação de suas idéias. Espero que o tempero da comida baiana tenha despertado nestes palestrantes a importância de colocar um pouco de sal nas suas apresentações. Sugiro a leitura de Presentation Zen para quebrar paradigmas.

Durante as apresentações, ficou claro que o tema da vez é “Linhas de produto de software”. Quer saber mais à respeito? Clique aqui. Como já é de costume, muitos trabalhos pongaram no tema só para dizer que estava na moda. Durante a apresentação, estes trabalhos foram ferrenhamente criticados por especialistas no assunto, que estavam presentes na platéia. Porém, a maioria não sofreu deste mal. Destaco que muitos trabalhos foram bastante aplaudidos pela sua qualidade técnica, a exemplo do Identifying Code Smells with Multiple Concern Views do nosso colega Glauco Carneiro da UFBA, que foi premiado como o melhor artigo do evento. O trabalho de Glauco teve como fruto a criação da ferramenta open source SourceMiner. Ele vem desenvolvendo um trabalho de análise do código-fonte do Framework Demoiselle do Governo Federal.

Diversos trabalhos apresentados tiveram anos e anos de pesquisas consolidados em ferramentas. Ao questionar sobre a publicidade do código-fonte das ferramentas para que eu pudesse avaliar e contribuir, recebi como resposta uma cara de desconfiança e um “me mande um e-mail que eu te passo”. É engraçado como no geral o brasileiro tem esse sentimento muitas vezes motivado pelo egoísmo e possessividade. Pensar em comunidade é lenda! Claro que isso não se aplica a todos os trabalhos, mas a pelo menos 95% do que pude perceber. A impressão que me deu é que esses projetos só servem mesmo para alcançar o título pretendido, depois joga-se a idéia no lixo.

Das palestras que assisti, as duas que mais me chamaram a atenção ocorreram no SBES, sessão técnica 1,  na quarta-feira. Para ser mais específico ainda, as palestras foram estas: A Study of the Relationships between Source Code Metrics and Attractiveness in Free Software Projects e; An Empirical Study on the Structural Complexity Introduced by Core and Peripheral Developers in Free Software Projects. Os trabalhos tratavam de assuntos ligados à Software Livre e os recados passados foram os seguintes: 1) não espere colaboração se a estrutura do projeto está complexa, pouco intuitiva ou desorganizada e; 2) não espere que mudanças estruturantes e iniciativas inovadoras partam dos colaboradores, isso parte da equipe dedicada.

Retrospectiva do Coding Dojo

Outra coisa que me chamou a atenção foi o espaço que a academia está abrindo para as metodologias ágeis. Teve até mini-curso sobre o assunto, além de algumas palestras! Durante o evento ocorreram também duas sessões de Coding Dojo, uma na quinta e outra na sexta, motivadas por Serge Rehem. O feedback dos participantes foi positivo.

Além das palestras, participei de dois mini-cursos. No MC 07 (como documentar a arquitetura da sua aplicação usando UML e mais), pela manhã, o recado que ficou foi: use a notação que você achar mais conveniente para o seu público, sendo coerente e claro nas representações, evitando o apelo ao subjetivismo e ao bom sendo de quem vê. O MC 12 (conformação e recuperação de arquiteturas de software) aconteceu à tarde e começou bem, falando sobre arquitetura de software e apresentando ferramentas pagas de verificação de arquitetura com base na análise estática do código-fonte. Do meio para o final ocorreu um momento jabá, onde o palestrante enfatizou demasiadamente sua ferramenta. Mas, no geral, os mini-cursos que participei saíram com saldo positivo.

Conclusão

Gostei do evento, gostei da organização, gostei da qualidade técnica dos trabalhos, gostei do local, gostei dos mini-cursos. Com relação à mentalidade dos palestrantes, apresentadores dos artigos selecionados, muita coisa precisa melhorar. O que mais me impressiona (e me preocupa) é que estes são (ou serão) professores. É preciso mais entusiasmo, meu povo. Acorda! Opa, quase esqueço… senti falta da participação dos profissionais do mercado de Salvador. Parecia ter mais gente de fora do que daqui. Será que as empresas locais não estão valorizando os eventos (ou seriam os profissionais)?! Passando a régua, o evento foi muito bom e quem não foi… só lamento. Perdeu! No ano que vem será em São Paulo.

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3 Responses to “Meu relato sobre a CBSoft 2010”

  1. 1 Claudia

    O minicurso que você citou sobre Introdução a metodologias ágeis foi bom! Bom para quem esperava ser apresentado ao tema. Por outro lado, também o tempo foi pouco para um assunto tão interessante e vasto! Apesar de conteúdo introdutório e pouco tempo valeu a pena !

    • Foi mesmo, os mini-cursos foram realmente super-mini. Não deu tempo nem para uma experimentação dos assuntos abordados. Foi bem no esquema SBO: senta a bunda e ouve. Mas foi o que deu para fazer no tempo previsto para a quantidade de participantes inscritos (que lotaram as salas).


  1. 1 Introspectiva 2010 « Cleverson Sacramento

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