Planejando aulas com XP e Kanban

10abr11

fonte da imagem: http://www.infoq.com

Recentemente fui convidado para retornar às salas de aula, desta vez para lecionar uma disciplina na pós-graduação. Será uma semana com aulas à noite inteira. Como fazer o planejamento da melhor forma? Optei por usar técnicas de XP e Kanban. Quer saber como fiz? Leia o post completo!

Depois de 3 anos, estou de volta! Agora no curso de pós-graduação Componentes Distribuídos Web da faculdade Ruy Barbosa. Fui convidado para ministrar uma disciplina nova, na qual os assuntos ainda não estão bem definidos. Por um lado isso é bom, pois tenho liberdade para propor coisas novas e úteis. Por outro lado complica, pois consumirei parte do cronograma apertado para preparar as aulas.

O nome da nova disciplina é gigante, olha só: Componentes de Software e Aplicações Web — Modelo de 2 e 3 Camadas. Apesar de ser bem específico, o título mistura 3 coisas em uma só. Resolvi então despejar todas as idéias e fazer um Brainstorm. Para me auxiliar nessa bagunça organizada, usei o XMind. Após lapidar as idéias, o resultado foi esse:

Brainstorm no XMind

Agora eu estava pronto para pensar nas aulas propriamente ditas. Usei algumas idéias de Extreme Programing (XP) e resolvi criar estórias e pontuá-las. Cada assunto, cada sessão, cada etapa de cada dia virou uma estória. Peguei mais algumas idéias do Kanban e estabeleci o limite de trabalho em progresso para cada um dos dias.

Ao estimar as estórias notei que a menor delas consumiria aproximadamente 25 minutos. Então determinei que 1 ponto vale 25 minutos. Esta pontuação não tem nada a ver com avaliação, é apenas a unidade mínima de trabalho. Desta forma, uma noite de aula totaliza 8 pontos. Finalmente cheguei ao número que representa o limite de trabalho diário!

Retornei ao XMind para fazer o planejamento inicial, consumindo da melhor maneira os 8 pontos diários. Defini cores para caracterizar as estórias teóricas e práticas. O resultado foi o seguinte:

Planejamento das aulas

Voltando ao Kanban, pensei em criar cartões em cartolina para prender as estórias na parede: um verdadeiro quadro Kanban. Com isso os alunos terão à disposição o planejamento das aulas, visualizando facilmente o que está por vir e o que já passou. Acredito que isso ajudará no alinhamento dos vetores 😉

Validei minha proposta com algumas pessoas, dentre elas Serge Rehem com suas idéias agilistas revolucionárias. Ele propôs retrospectivas diárias com possibilidade de replanejamento das aulas. Os alunos poderiam mudar a direção do barco à cada dia. Achei a idéia ótima e completamente aderente com a linha que eu estava idealizando.

Para quem quer saber mais sobre Kanban, sugiro o livro Kanban vs Scrum. A leitura é leve, objetiva e muito proveitosa. Vale à pena!

Agora você entende por que o blog ficou alguns dias sem novos posts, heim?! Eu estava muito ocupado planejando e preparando os slides das aulas. O resultado de tudo isso postarei aqui em breve. As aulas acontecerão nesta semana, dos dias 11 à 15 de abril. Minha intenção é fazer resenhas diárias, espero ter fôlego para isso. Confira aqui o primeiro dia.

E você, já faz algo parecido? Como foi sua experiência? O que você achou desta idéia?

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11 Responses to “Planejando aulas com XP e Kanban”

  1. 1 Jader

    Cara. Perfeito. Sinceramente, sorte dos caras que vão ter aula com você na pós. Nessa minha estrada eu já vi todos os tipos de professores, mas a maioria certamente é constituída por aqueles que pegam um material de última hora na internet, fazem uma alteração qualquer e despejam na sala de aula sem planejamento nenhum. Você foi o professor mais organizado que eu conheci na graduação, e certamente continuará assim dando aula na pós. Muito bom mesmo. Parabéns!

  2. 2 Fernando Palma

    Show!

  3. 3 Fernando Mendes

    Cleverson, uma proposta realmente bem planejada e elaborada. Cara não apenas o conteúdo das aulas estará interessante mas a elaboração e o planejamento da própria aula poderia ser também uma dos temas práticos. Em todas as minhas aulas meu planejamento seguia com base em propostas ágeis. Fui abrigado e buscar sempre novas formas e novas práticas para poder manter as aulas interativas e em alguns caso era forçado a replanejar o conteúdo e a dinâmica nos primeiros minutos da aula, devido a vários fatores como por exemplo disponibilidade de material, quantidade de alunos e interesse dos alunos pelo assunto. A proposta do Serge Rehem, é muito boa apenas acrescento que como o replanejamento poderá ser diário tudo irá depender da turma e dos recurso (retrospectiva) logo como experiência nesse assunto eu colocaria no plano sempre uma segunda alternativa na Prática, Avaliação, Disciplina e Material. Atenção especial pois você pode não ter tempo para poder redefinir as aulas para essa turma logo, cuidado com as propostas nas retrospectivas. Sucesso!

  4. 4 Alexandre

    Isso tudo já contando com os debates propostos pelos alunos ?

  5. 5 João Paulo (Babu)

    Dunha,

    Você propôs uma ótima sistemática para planejamento de suas aulas. Parabéns! O único detalhe que está faltando é a ausência de referências aos recursos de consulta aos conteúdos teóricos, ou seja, em que medida você conseguirá facilitar o acesso ao conhecimento, apenas nas suas pontuações nas dinâmicas? Me parece que a proposta do seu plano é nitidamente aberta, o que favorece a construção colaborativa. Mesmo assim ainda há a necessidade de um suporte teórico (material) para contribuir com a evolução da aprendizagem. Já foi disponibilizado aos alunos o material, ou o material é disponível online, ou a biblioteca “presencial” dispõe de recursos adequados, ou a biblioteca virtual está disponível? Sua proposta é evidentemente colaborativa (estou falando de Piaget, Vigotsky e Paulo Freire), mas ao mesmo tempo, não saberia verificar nesse relato do seu blog se a disciplina tem ênfase prática na construção de soluções específicas para a área de atuação a que se propõe, até porque estou muito longe dessa área.
    Na psicologia nós construímos as aulas através de um tripé: teoria-prática-construção do conhecimento. As aulas quando são construídas colaborativamente (aí, no meu caso, através da metodologia problem based learning – aprendizado baseado em problemas) podem facilitar imensamente a velocidade e qualidade do que está sendo aprendido (conhecimento é um produto da construção). Isso ajuda a ultrapassar as barreiras relacionadas às limitações individuais. Sempre usamos os referenciais (normalmente na biblioteca virtual) para contribuir com a construção do conhecimento, associados às dinâmicas de desconstrução de cases, aplicação dos referenciais acerca da prática de intervenção.

    Parabéns, seu plano está muito bom, mas com certeza vai lhe dar o dobro do trabalho e, consequentemente, o resultado será o dobro do esperado!

    Abraço,
    João

  6. 7 Alexandre

    Sim, Dunha ,

    Eu não tenho o mesmo nivel de discussão de Babu, em termos de pedagogia, mas não entendi,de que forma vc ponderou o tempo gasto para as discussões em sala de aula. Imagino que isso varie de acordo com com a área do conhecimento.Em Direito , por exemplo, sempre há situações em que surge uma discussão, o professor acaba divagando e não cumprindo o programa estabelecido. Abs

    • Isso eu acho que vai do bom senso do mediador, não pensei em criar regras para isso. Na realidade, este modelo colaborativo auto-gerenciável precisa sempre que o mediador esteja atento aos objetivos vs recursos (tempo e outros). Mas a discussão tem que ocorrer (e está ocorrendo) bem objetivamente e com foco no que está sendo discutido no momento. Não pensei em escrever um algoritmo para isso, nem sei se tenho vontade que seja assim 🙂

  7. Falaaaaaa Welly,

    Minha contribuição demorou mas chegou. Estou meio abafado. Vamos lá, eu utilizo um pensamento parecido quando estou fazendo o planejamento na empresa ou dando algum treinamento. Na verdade somente os nomes dos bois que mudam. Para os mapas mentais eu utilizo o MIND MANAGER e a pontuação de cada ítem eu distribuo por peso de relevância do tema. Ex: O tema X é só para constar, logo tem peso 1. O tema y é importante, tem peso 3. O outro tema tem peso 3 ou 2… por aí vái, desde que o TEMA PRINCIPAL tenha o total de 70 pontos – média que eu considero ideal para a coisa funcionar de forma proveitosa. Com relação ao KANBAN eu não conheço muito, mas sei algumas coisas do SCRUM, mas previro utilizar algumas metodologias do PMI (Project Management Institute), não por ser melhor, mas provavelmente por saber mais e com isso ter mais segurança na coisa (LAH ELE), já que estou sem tempo para estudar qualquer coisa que seja fora da Engenharia. Grande Abraço meu velho. A gente se fala. Abraços. CHICO (Marcos Scaramussa Jr)


  1. 1 Aula 1 — Pós-graduação « Cleverson Sacramento
  2. 2 Resultado da avaliação – Pós-graduação « Cleverson Sacramento

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